EPFCL - Brasil 

Sede permanente

Rua Goethe, 66 - 2º Andar - Rio de Janeiro

Comissão de Gestão

Diretora: Elizabeth da Rocha Miranda  -  Secretária: Andréa Franco Milagres  

Tesoureira: Geisa Freitas

 

XVII Encontro Nacional da Escola de Psicanálise do Campo Lacaniano EPFCL – Brasil

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Problemas cruciais para a psicanálise na atualidade

 

Quais os problemas cruciais para a psicanálise na atualidade? O tema proposto para o XVII Encontro da EPFCL-Brasil, que será realizado nos dias 12, 13 e 14 de Novembro em São Paulo, pode suscitar diferentes interpretações. Uma delas seria a de que os problemas que interessam à psicanálise poderiam variar ao sabor do tempo. Assim, haveria uma psicanálise que responderia pelos problemas que se apresentavam a Freud e uma outra, diferente, que manejaria as questões da atualidade. Esta interpretação é sustentada por alguns psicanalistas e subsidia uma série de discussões que colocam o nosso tempo sob a égide de uma “novidade”. Nesta vertente a psicanálise seria uma práxis datada, apropriada para pensar o sujeito moderno, marcado pelo desejo insatisfeito, pela lei e pela castração decorrentes de um pai proibidor, de uma educação repressiva ou de uma cultura moralizante. Agora, a questão seria outra. O sujeito da chamada “pós-modernidade” sofreria em decorrência não das proibições, mas pelo contrário, de um empuxo ao gozo aliado a um “declínio da função paterna” promovidos pelo discurso capitalista: novos sintomas, novas modalidades de gozo, nova economia psíquica e, por que não, uma nova psicanálise, mais ajustada às questões da atualidade.

 

Acontece que este discurso incorre numa petição de princípio, ao escamotear que o sujeito sofre, não em decorrência da proibição da era vitoriana ou das imposições do mundo capitalista, mas do “eco, no corpo, do fato de que existe um dizer”. Assim, nessa segunda linha interpretativa (que sustentamos por acreditarmos poder tornar nosso tema mais fecundo), a psicanálise não é mais um produto sujeito à obsolescência programada, ao sabor de “l’air du temps”. Ela se insere, sim, num recorte temporal específico, ou seja, no advento da Idade Moderna e seu cogito cartesiano, “Penso, logo existo”, mas para pinçar o sujeito na dialética do desejo, afirmando que “Sou onde não penso” e “Penso onde não sou”. A descoberta freudiana promove uma ruptura ao fundar um discurso ancorado numa experiência de saber paradoxal – a experiência do inconsciente, ou seja, de um saber insabido pelo sujeito e do qual ele é responsável. De modo que, se o sintoma veste roupagens diferentes na atualidade, “Isso” implica necessariamente uma estrutura, atemporal, estrutura de linguagem que obriga todo ser falante a se deparar com seus ditos e com o que a eles escapa. 

 

Desse ponto podemos então interrogar nosso tema por outro ângulo: quais os problemas cruciais da psicanálise na atualidade, uma atualidade marcada pelo discurso do capitalista, universalização do gozo, e o “narcinismo”? 

 

É com Lacan que podemos nos arriscar a dizer que o único problema realmente crucial para a psicanálise na atualidade é o de como afirmar o seu lugar, o seu alcance e a sua legitimidade, não sem ter no horizonte, as condições necessárias para que se produza e se sustente o desejo do analista. A psicanálise não é o que faz sucesso, disse ele na Terceira. Ela se afirma, antes, por seus resultados. E eles dizem respeito a que seja “do real de que depende o analista nos anos que virão e não o contrário. Não é de forma alguma do analista que depende o advento do real. O analista tem por missão detê-lo. Apesar de tudo, o real poderia muito bem desembestar,  sobretudo desde que ele tem o apoio do discurso científico”. Aqui, também, seguimos a esteira de Freud, para quem a questão da garantia da permanência da psicanálise no mundo já se apresentava e cujas respostas já apontavam para a necessidade da análise pessoal de seus adeptos, até mesmo para que esses pudessem, através de sua própria experiência, dar provas de seu valor científico na clínica.

 

Esses são alguns dos tantos argumentos que se colocam à nossa disposição no sentido de provocar o debate, os questionamentos e as possíveis contribuições lançadas por Lacan no seu retorno à Freud. Imbuídos de entusiasmo e disposição para o debate convidamos a todos para o nosso Encontro que terá ainda a presença de nossa colega Colette Soler, psicanalista membro da EPFCL- França que virá abrilhantar ainda mais o nosso evento.

 

Sandra Mara Nunes Dourado

Lia Silveira 

Andrea Rodrigues 

CG da EPFCL-Brasil 2015-2016

 

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[1] Neologismo criado por Colette Soler, condensando os substantivos “narcisismo” e “cinismo”, apresentado pela autora em seu seminário “Declinacion de la angustia segun las estructuras clínicas y los discursos”(2000)

[1] LACAN, J. (1974). A Terceira. Che vuoi, ano 1, n. 0. Porto Alegre: Cooperativa Cultura Jacques Lacan, 1986.

 

Subtemas
 

 1-Efeitos conjugados do discurso do capitalista e  do discurso da ciência  no sujeito e seus sintomas 

-Medicalização da dor de existir / Mercado e exclusão / Segregação e violência / Globalização e exacerbação das identidades  / Efeitos dos discursos no corpo

Novas versões do narcisismo e "narcinismo” / Compulsões e toxicomanias / Infância generalizada / Perversão generalizada?

2- Transformações contemporâneas 

-Partilha dos sexos, posições sexuadas e as novas escolhas / Atualidade do Édipo / Novas configurações familiares

Os mundos virtuais e suas ofertas de saberes, gozos e laços -Redução das distâncias?  / Nova vivência do tempo

3- A dimensão politica da psicanálise 

-O psicanalista na polis, na universidade, nas instituições, nas mídias e nas ruas. / Incidências politicas do ato do psicanalista 

A manutenção/subversão do Discurso de Analista na contemporaneidade / A formação de um analista

 
Comissões

Comissão Científica

 

Andrea Milagres (coordenação)

Ana Laura Prates Pacheco

Dominique Fingermann

Ida Freitas

Isloany Machado

Luis Achilles

Silvana Pessoa

Sonia Alberti

Sonia Borges

Vera Pollo

Zilda Machado

Comissão de organização:

 

Beatriz Almeida (Coordenação)

Adriana Grossman

Ana Paula Pires

Carla Bohmer

Cibele Barbará

Beatriz Gutierra

Daniele Salfatis

Fernanda Zacharevicz

Guilherme Mola

Maria Cláudia Formigoni

Patrízia Corsetto

 

Comissão de Gestão EPFCL Brasil

 

Sandra Mara Nunes Dourado,

Lia Silveira e Andrea Rodrigues

 

Comissão de Gestão FCL - SP

 

Glaucia Nagem, Luciana Guarreschi,

Gisela Armando e Samantha Steinberg

 

Direção técnica e artística

 

Bob Cardoso

Sheila Finger

Tatiana Assad

Mirian Pinho

Mirian Furini

Marina Graminha

Normas Para Envio de Trabalhos

Os interessados em apresentar trabalhos deverão encaminhar o resumo junto com o comprovante do depósito bancário para o email epfcltrabalhos2016@gmail.com de acordo com as seguintes instruções:

 

  • Texto em arquivo formato word versão 20013 ou superior.

  • Arquivo contendo 2 páginas: Folha de rosto com título do trabalho, nome completo do autor, instituição a qual pertence, formação e email.

  • Folha do argumento apenas com o título do trabalho e o resumo, contendo contextualização do tema e objetivo do trabalho, deve limitar-se a 2.000 caracteres.

  • Envio do argumento até 30 de agosto.
     

O resultado da seleção dos argumentos será divulgado até o dia 20 de setembro e os autores cujos tiverem sido selecionados terão até 10 de outubro para enviar o texto completo para o email epfcltrabalhos2016@gmail.com A versão definitiva só será aceita com 10.000 caracteres com espaço.

 
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