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Passe

O dispositivo do passe foi proposto por Jacques Lacan em 1967, três anos após sua exclusão da IPA. Mais especificamente, ele o apresenta em sua magistral “Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola”, na qual abre novamente o debate sobre a questão da análise didática. Lacan propõe o passe como um dispositivo inédito, que visa interrogar a análise do analista, ou seja, “a passagem de psicanalisante a psicanalista” e oferece aos psicanalistas uma possibilidade de por à prova o ponto de finitude do percurso de uma análise, especialmente aquele que permite a virada de analisante à analista, com a emergência do desejo de analista. Este dispositivo está referido à tese prínceps de Lacan: em seu ato “o psicanalista não se autoriza senão por si mesmo”. E é por isso, precisamente, que se faz necessário um controle, já que essa tese não implica, entretanto, que qualquer um pode ser psicanalista.

O dispositivo está construído sob o modelo do chiste. O analisante, nomeado passante, que tem a convicção de ter chegado ao fim de sua questão de analisante, se oferece para dar testemunho de sua passagem a analista. Ele o faz diante de dois passadores. Os passadores, por sua vez, são designados por seus analistas (AME) que, em função do momento preciso dessas análises, os consideraram aptos a escutar aquilo que atesta a virada a analista no testemunho do passante.

Esses dois passadores transmitem o que elaboraram do testemunho do passante para um júri, que se pronuncia e, eventualmente, autentifica o testemunho com o título de A.E., título criado por Lacan e que nomeia o Analista da Escola.

Desde sua entrada em funcionamento, em 1969, o dispositivo esteve no centro de várias crises institucionais e, notadamente, na dissolução da EFC em 1980.

A EPFCL – Escola Internacional – escolheu inscrever o passe no coração de seu funcionamento e, assim, procura sustentar a opção de Lacan que é a de vincular o destino da psicanálise à manutenção da questão sobre o desejo do psicanalista. Na EPFCL, a função do júri é assumida pelos chamados Cartéis do passe. Esses Cartéis são compostos pelos membros eleitos para o Colégio Internacional de Garantia (CIG) e são multinacionais, plurilinguísticos e de duração transitória.

Textos de Referência
Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola
Nota Italiana
Introdução à edição inglesa do Seminário XI

Acesse aqui os textos fundadores.

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