EPFCL - Brasil 

Sede permanente

Rua Goethe, 66 - 2º Andar - Rio de Janeiro

Comissão de Gestão

Diretora: Elizabeth da Rocha Miranda  -  Secretária: Andréa Franco Milagres  

Tesoureira: Geisa Freitas

 

Prelúdio 15 - Arlindo Carlos Pimenta

A demissão depressiva na contemporaineidade 

 

 

Se Freud, no final do século XIX e inicio do século XX, aprendeu com as histéricas - relegadas pela medicina- e a partir de seu aprendizado criou o discurso psicanalítico, que poderíamos nós no inicio do século XXI aprender com os deprimidos?

 

Podemos marcar bem a diferença entre a melancolia (pouco alterada em sua forma de apresentação) e depressão dita como o mal do século.

Lacan afirma que a estrutura é trans- histórica, mas o sintoma não é.

 

Neste sentido é muito importante que estejamos atentos a “subjetividade de nosso tempo”.

 

Podemos marcar, neste sentido, dois pontos importantes que têm gerado consequência.

 

O primeiro decorrente de uma alteração no discurso do mestre gerando o discurso do capitalismo.

 

O segundo refere-se ao grande desenvolvimento das neurociências financiadas pelo capital internacional levando à retomada pela psiquiatria da velha questão do século XIX, a saber, a etiologia orgânica do sofrimento psíquico. A mitologia cerebral que se segue está agora embasada nos neuroreceptores, levando à negação da subjetividade e das estruturas clínicas.

 

É proposta até uma nova abordagem classificatória onde tudo é reduzido aos “transtornos”.

 

Segundo Colette Soler, os depressivos não procedem de uma geração espontânea.

 

Além dos fatores já mencionados podemos acrescentar a experiência feita da morte do Outro, cuja derrelição foi posta a descoberto, deixando- nos na falta tanto no que se refere às antigas crenças no Universal quanto às grandes causas do passado.

 

A depressão até agora foi apresentada como um estado afetivo sem se constituir em uma estrutura neurótica própria.

 

Porém a forma de apresentação dos deprimidos na pós-modernidade, traz algumas questões importantes que nos faz coloca-la como uma “posição depressiva” presente na histeria ou na obsessão, complicando sua abordagem.

 

Até então a característica principal dos depressivos era a tristeza (covardia moral). Parece, no entanto que nos tempos atuais o acento maior deve ser dado à inibição.

 

Tal característica leva estes sujeitos a ocuparem a posição de demissionários da vida, com reflexos importantes em seu modo de existir e em sua temporalidade, quem sabe consequente à derrelição do Grande Outro, característica importantíssima do discurso contemporâneo.