EPFCL - Brasil 

Sede permanente

Rua Goethe, 66 - 2º Andar - Rio de Janeiro

Comissão de Gestão

Diretora: Elizabeth da Rocha Miranda  -  Secretária: Andréa Franco Milagres  

Tesoureira: Geisa Freitas

 

XX Encontro Nacional da EPFCL-Brasil

A política do corpo

por Antonio Quinet

 

O título de nosso Encontro Nacional da EPFCL-Brasil se encontra na interseção da psicanálise em intensão com a psicanálise em extensão, ou seja, na continuidade do divã com a pólis – a cidade dos discursos – pois o corpo do sujeito individual é o mesmo do coletivo. A política com a qual cada sujeito lida com seu corpo é o que nos mostra a clínica do divã. Mas a política com a qual a sociedade trata os corpos falantes na sociedade concerne também ao psicanalista.

 

O Inconsciente é a política, disse Lacan, nos indicando que qualquer política do sujeito relativa a seu corpo inclui o Inconsciente. Isto significa que nosso corpo falante, mais do que biológico, é estruturado pela linguagem, que é “corpo sutil, porém corpo”. O corpo narcísico, imaginário é tomado pelo corpo simbólico, é tomado na cadeia significante e se historiza. O que faz pensar nas políticas do corpo falante nas diferentes estruturas clínicas. A política do recalque da histeria hoje se apresenta desde suas formas clássicas de conversão até suas modalidades contemporâneas de anorexia, bulimia, autoescarificações, etc. A histérica não procura mais a bela alma, e sim a bela forma. A base histérica de toda a neurose faz do corpo um corpo marcado de história – um corpo histoérico. A política de fazer Um do corpo despedaçado na psicose poderia ser uma resposta à pulverização esquizofrênica, ou à mortificação da carne na melancolia. Por outro lado, os fenômenos psicossomáticos se distribuem democraticamente em todas as estruturas clínicas. Em todas as estruturas o corpo é uma mesa de jogo na qual há uma sequência de retorsões significantes ordenadas como um jogo de cartas (Radiofonia), um conflito de interesses. Os corpos são comandados por objetos fora do corpo, que é o retorno do gozo excluído pela incorporação da linguagem: o olhar da pulsão escópica e a voz da pulsão invocante. Olhares e vozes do Outro que dizem ao corpo “sim, és desejável”, ou lançam dardos e impropérios próprios à glutoneria do supereu.

 

O corpo falante é borromeano: o Imaginário de sua forma e de sua imagem especular está enlaçado com o Simbólico da linguagem e o Real do pulsional através do sinthoma de modo original em cada caso. E a clínica pode responder como se manifestam em relação ao corpo as três modalidades de gozo: fálico, do sentido e Outro gozo. 

 

Hoje o discurso da ciência regula a política estetizante dos corpos fazendo os sujeitos correrem atrás da imagem perdida, da idade perdida, do tempo perdido, escamoteando a política da falta-a-ser, que a psicanálise aponta. Em nossa sociedade escópica, os imperativos sociais forjam o imaginário dos corpos no espelho do Outro, alimentando o discurso capitalista e produzindo belos corpos e monstros apavorantes. E daí pululam academias, cirurgias e dermatologias.  

 

Os corpos sexuados e seus semblantes são assunto de política (e não de ideologia) de gêneros, onde “homem” e “mulher” são polaridades interrogáveis.  A anatomia não comanda a partição dos gozos da sexuação (todo fálico e não-todo fálico) do corpo falante. Cada um procura o semblante sexual que mais lhe convém para responder de sua posição sexuada. E sai à rua no embate com os imperativos que a moda dita aos corpos.

 

Cada um se veste com seu corpo e está sujeito a responder por ele de acordo com as políticas vigentes – corpo sexuado, o corpo com sua cor, o corpo com seus hábitos. É esse o corpo que será julgado, injuriado, perseguido, violentado, exilado e até mesmo assassinado por políticas segregacionistas, sexistas e racistas que, sob o comando da pulsão de morte, catalogam, hierarquizam e eliminam corpos indesejáveis.

 

A psicanálise aponta que somos todos corpos falantes, dançantes e cantantes. Pois nosso corpo não é feito de biologia, e sim de arte – da arte feita através do Inconsciente-poeta real com seu saber sobre lalíngua. Cada um se fabrica um corpo atrelado à sua letra de sinthoma e assim compõe seu corpoema – tal como Édipo que inscreve sua letra Óidipous no nome e no corpo e claudica sua falta. Lalíngua é o barro do qual foi criado Adão; é a costela da qual Eva foi criada. Lalíngua é o barro e a costela dos quais foram criados ele e ela.

INFORMAÇÕES DO EVENTO

XX ENCONTRO DO FÓRUM DO CAMPO LACANIANO

 

Data: 11 a 13 de outubro de 2019

Local: Del Mar Hotel - Aracaju

Informações: aracajuencontronacional2019@gmail.com

INSCRIÇÕES E PRAZOS

Até 15 de maio:

Profissional: 250 reais  

Estudante*: 125 reais    

Até 30 de junho:

Profissional: 300 reais  

Estudante*: 150 reais    

Até 30 de julho:

Profissional: 360 reais  

Estudante*: 180 reais    

Até 30 de setembro:

Profissional: 400 reais  

Estudante*: 200 reais    

No local:

Profissional: 450 reais  

Estudante*: 225 reais    

Inscrições em grupo:

Para aqueles interessados em se inscrever no evento e que não forem membros é possível realizar inscrições em grupo. Com a inscrição de 10 participantes, adiciona-se uma inscrição gratuita a este grupo. Para maiores informações sobre essa modalidade de inscrição, entre em contato com a secretaria do evento através do e-mail aracajuencontronacional2019@gmail.com.

FORMA DE PAGAMENTO

 

Faça sua inscrição por depósito ou transferência bancária em nome de AFCL/EPFCL-Brasil. Banco Itaú; CNPJ 03.526.375/0001-88; AG 3239 e CC 24933-1.

 

Após o pagamento, envie o comprovante e a ficha de cadastro (em anexo) para a secretaria do XX Encontro Nacional através do e-mail  aracajuencontronacional2019@gmail.com e aguarde o retorno da secretaria para confirmar sua inscrição.

 

O cancelamento da inscrição até 20/09/19 prevê a devolução de 80% do valor em questão. 

 

 

 

Cordialmente

 

Comissão de organização do XX Encontro Nacional